O mundo melhor dos caras de pau

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O cara de pau falando de um mundo melhor
Todos nós afirmamos que queremos um "mundo melhor para todos". O problema é que não sabemos como tê-lo. E quase sempre o que queremos dizer com tal afirmação é que queremos que o nosso mundo pessoal seja melhor. Isto é, queremos o melhor só para nós, cada um quer o melhor só para si mesmo. Quando o político fala de um mundo melhor para o povo, ele está pensando em captar a nossa aprovação para o seu discurso e se dar bem nas eleições com o nosso voto, só isso! Somos assim caras de pau mesmo! Tenho a dizer que, do ponto de vista filosófico, jurídico e político, não vai dar certo. Ora,  o tal "mundo melhor para todos" não pode ser só para uma pessoa, tem que ser para todas, exatamente como a frase explica. Mas, infelizmente, esbarramos no conceito de que todos, ou pelo menos a grande maioria, querem o melhor só para si mesmos, e tanto isto é verdade que os índices da criminalidade e do desrespeito humano apontam números assustadores: são guerras, abusos, estupros, assassinatos, crimes, vaidades absurdas, roubos, vícios, desrespeito ao próximo, etc. Vamos ser sinceros, ninguém está aí para os outros! Olhem só: os Estados Unidos acusam o Irã de possuir armas químicas, porém se acham no direito de espionar o Brasil, os políticos brasileiros e as empresas nacionais, e fazem o mesmo em outros países, e os caras de pau juram que é para proteger a humanidade do terrorismo internacional. Logo, a ideia de um mundo melhor vai ficar engavetada, pois nós não a queremos, já que a maioria da humanidade está votando no projeto do melhor para si mesmo. Quantos estarão dispostos a abandonar a ideia de que sua religião é a melhor do que a do outro, ou até mesmo a acabar com todas as religiões para que ninguém se ache melhor do que o outro? Não sabemos que a intolerância religiosa e racial causa guerras? Sabemos sim, mas vamos deixando as coisas do jeito que estão. Quantos médicos, deputados, engenheiros, empresários, etc., estarão dispostos a concordar que os lixeiros, os balconistas, os varredores de rua, os motoristas de ônibus, e outros profissionais do mesmo gênero, precisam ganhar o mesmo que eles ganham, reduzindo o preço de seus serviços de tal forma que passem a ganhar o mesmo que um operário? Nenhum, não é mesmo? Sim, porque se falamos em aumentar o salário de fome dos trabalhadores comuns dão como resposta que tal ato arrebentaria com o orçamento da União... Qual esposa de médico ou deputado gostaria que o salário do seu marido fosse igual ao do lixeiro que vai pegar o seu lixo? Nenhuma, não é mesmo? Logo, concordamos que o mundo deve ser melhor e mais fácil para uns do que para os outros, e apenas essas propostas de igualdade seriam capazes de atear fogo no mundo e engolfar a humanidade numa guerra cheia de ódio e destruição, caso fossem aventadas para serem colocadas em prática. Prova suficiente de que todos querem um mundo melhor só para si mesmos. Enfim, estamos contentes com a desigualdade e queremos um mundo melhor só para nós mesmos. Qualquer outra proposta ética é apenas a "vã filosofia" da qual falava Shakespeare.
*** Por Marco Aurélio Dias

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